domingo

Pensei em não voltar mais á escrever. Mas os conturbados caminhos me fizeram voltar á estas linhas de pauta amarelada. Um pouco mais de café amargo, alguns pingos de uma chuva fina garoando sobre minha janela e me sinto novamente pronta para confrontar meu eu interior. Mas, afinal, o que te andas acontecendo, novamente, garotinha? Não cansas de tanto sofrer? Suponho que não.

Tudo é superfluo. Nem tudo que parece real, é. Mentiras podem ser fácilmente confundidas com a verdade. Verdades jamais podem ser confundidas com a mentira...

E nesse nó, o que é real? De todas as meias-verdades que já ouvi, prefiro acreditar que todo o resto é uma grande mentira.

Confianças são quebradas. Promessas também. Por que dizer algo que não vai cumprir?

Boneca de pano jogada no chão. Sem coração, mas com sentimentos. Ei, porque roubas teu amor?

Ainda sinto aquela lágrima que não chorei. Aquela que guardei no peito para por um sorriso falso no rosto. Até quando ela ficará trancafiada?

Não há respostas, mas estou cheia das perguntas. Começo um pensamento otimista: "E se...". Sou interrompida pelo lado pessimista. Porque ainda acredita no que te dizem, menina tola? Nestes anos nada aprendestes?

Disse que não ia mais chorar. Chorou. Disse que não ia mais confiar. Confiou. Disse que não ia mais amar...

E, quando a boneca de pano levanta-se, ela vê a realidade. Nada é real. Tudo superfluo. Apenas aquela gota salgada que salpica suas bochechas rosadas...E, desta vez, não é apenas uma garoa passageira...

quinta-feira

Como que se perdermos assim? Algo me fugiu do controle. Escapou entre minha mão e escorreu pelos dedos. Desde que te vi partir, algumas dúvidas vieram me torturar. O que realmente éramos? Era tão bonito. Mas, porque agora tudo que tão bonito era me dói? Porque tantas lágrimas ao ouvir aquela nossa música na rádio? O que houve com nosso amor? “(...) Era um amor tão pobre que não durou”.  O fim deveria ser mais uma chance para o recomeço. E, porque não é? Não posso te encontrar, naquela esquina qualquer e te abraçar e dizer que senti sua falta? Infantilidade da minha parte, eu sei. Escrever sobre você... Novamente? Depois de tanto tempo, esse sentimento ainda não se perdeu. Dói pensar em você, em nós, em o que fomos e no que nós tornamos. Meu orgulho foi deixado de lado assim que decidi escrever sobre você, logo ali, na primeira linha. Nem era para ser sobre você! De novo? Não tinha outro assunto? Não tinha outro pensamento? Poxa, não tinha outro sentimento? Não. Não tinha. Tinha que ser justo você. E, estou deixando tudo que ainda me resta para dizer tão publicamente que sinto sua falta.  Eu não era tão inteligente? Porque me sinto tão inútil se o assunto é você? Na sua matéria, fui reprovada. Mais do que reprovada, estou desorientada. Pensei em comprar uma bússola. Lembrei que de qualquer jeito, você continuaria me levando para o Sul junto com você. Não tinha porto ou meio-termo nesta viajem. Levantei-me para preparar um chá. Amargamente dócil. Agridoce. “Do jeito que você gostava...” pensei. Chorei. Sinto um perfume teu que marcado ficou no meu travesseiro. Talvez seja por isso que passei a dormir na sala. Seu perfume forte, que eu tanto reclamava hoje já me sufoca. Ligar a televisão na ânsia de me distrair de você... Descubro que seu time ganhou. Consigo lembrar da tua euforia quando isso acontecia. Seu sorriso. Sua comemoração com cerveja amanteigada. Ainda sei qual a tua marca predileta. Será que continua com os mesmos gostos? E aquela tua camiseta azul-marinho? A minha preferida... Lembro-me de muitas vezes acordar usando-a. Ficava como um vestido pra min, mas, você teimava em dizer que eu estava sexy. Sabe aquele hematoma roxo da minha perna que você fez com suas unhas mal-cortadas? Ainda está aqui.  Assim como tudo seu está aqui. Lembra quando te mandei uma mensagem dizendo que esqueceu algo aqui e você disse “volto logo pra buscar-las?”. Me desculpe, eu menti. Não são tuas meias. Nem tua gravata. Sou eu! Quando você foi embora, você esqueceu de me levar!

quarta-feira



Ei! Preste atenção, naquela menina. Tímida, não é? Você já percebeu que quando ela olha nos seus olhos, logo ela desvia o olhar? Ou como ela tampa a boca com as mãos quando ri, como se seu sorriso fosse algum crime? E, quem sabe, você já parou para observar a forma dela de falar errado? E, aquele jeito de arquear as sobrancelhas ironicamente? Aposto que não.  Você nem sequer a percebe. Mas, deixe-me contar um segredo sobre aquela garota. Ela gosta de você. Percebe isso? Não? Como não? Não observou aquele brilho no olhar dela daquela vez que vocês se viram? Aquele tom tímido de falar com você? Aquela falta de jeito de puxar assunto com você? Ou até o fato, que ela está sempre falando com você no MSN, seja o assunto mais bobo do mundo? Nunca percebeu que todos os elogios, vinham com uma mensagem oculta de: “Eu gosto de você, cara”.  Preste atenção ao conversar com ela. Já percebeu que ela nunca te chama pelo teu nome? É “você”, “tu”, mas nunca o teu nome. Lembra daquela vez que ela te pediu desculpas meio sem jeito? Você sabia que naquele dia ela foi dormir chorando e lembrou de você? Já percebeu o tanto de besteiras que ela fala? Nada que faça muito sentido... É que só assim, ela consegue imaginar você sorrindo. Ela nunca dá em cima de você, pelo menos, não diretamente. Mas torce que um dia você a veja mais do que uma “amiga”. Aliás, eu imagino que vocês são amigos, certo? Bem, se não são ainda, tudo bem. São bem próximos. E, pelo que sinto sobre aquela menina, ela bem que quer ser no mínimo tua amiga.  Já parou pra ler as frases e trechos que ela coloca no subnick do MSN? Sabia que cada uma dela é algo á ver com você? E, ás vezes, tudo que aquela menininha quer é ser tua. Ela bem que queria poder te abraçar. Alguma coisa dentro dela diz que vocês combinam. Por quê? Bem, ela também não sabe. Mas, ela sempre acha que vocês têm “tudo á ver”. Engraçado, como vocês estão tão longe, mas ela te sente tão perto. Ela fica hora pensando no que te falar, qualquer coisa para que você goste dela. Mas, ela nunca consegue. E, acaba sempre falando sempre as mesmas coisas. Ás vezes, ela se sente triste ao ler qualquer coisa tua e que tenha relacionada á outra garota. Mas, ela vai fazer o que? Gritar “Ei, idiota, eu gosto de você”? Bem que ela tem vontade. Mas, ela tem medo de se envolver e acabar ter perdendo de uma vez. Á noite, antes de dormir, ela tem sonhos tão ternos. Como aquela garotinha tímida, de fala errada e sorriso torto, queria te ter só pra ela, e poder enfim te fazer sorrir, te abraçar, te beijar, cuidar de você, simplesmente, amar você... 

terça-feira






“Aqui jaz um coração.” Escreveu no mármore branco com sua tinta de escrita negra. Foi quando escutou uma voz familiar atrás dela:

- O que faz aqui, garota?
- Nada. Só vim enterrar algo, aqui.
- O que enterrou?
- Vim enterrar meu coração.
- Está louca? Como enterras teu próprio coração?
- Não me serve mais.
- Coração não é como um objeto descartável, que após o vencimento você simplesmente joga no lixo.
- Não quero mais sentir.
- E, por isso, enterrou teu coração?
- Não.
- E, pelo o que foi então?
- Foi por amor.
- Enterrou teu coração por amor?
- Sim.
- Que tipo de amor é este?
- Amor próprio.